{"id":577,"date":"2017-12-17T17:06:12","date_gmt":"2017-12-17T17:06:12","guid":{"rendered":"http:\/\/sindicatos.cgtp.pt\/uniao-norte-alentejano\/?p=577"},"modified":"2017-12-17T17:06:12","modified_gmt":"2017-12-17T17:06:12","slug":"intervencao-de-helena-neves-coordenadora-da-usna-no-encontro-nacional-da-cgtp-in-sobre-assimetrias-regionais-e-o-interior","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sindicatos.cgtp.pt\/uniao-norte-alentejano\/2017\/12\/17\/intervencao-de-helena-neves-coordenadora-da-usna-no-encontro-nacional-da-cgtp-in-sobre-assimetrias-regionais-e-o-interior\/","title":{"rendered":"Interven\u00e7\u00e3o de Helena Neves, coordenadora da USNA, no Encontro Nacional da CGTP-IN sobre Assimetrias Regionais e o Interior"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/sindicatos.cgtp.pt\/uniao-norte-alentejano\/wp-content\/blogs.dir\/56\/files\/sites\/56\/2017\/12\/P1020406-min.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft  wp-image-574\" alt=\"P1020406-min\" src=\"https:\/\/sindicatos.cgtp.pt\/uniao-norte-alentejano\/wp-content\/blogs.dir\/56\/files\/sites\/56\/2017\/12\/P1020406-min.jpg\" width=\"159\" height=\"106\" srcset=\"https:\/\/sindicatos.cgtp.pt\/uniao-norte-alentejano\/wp-content\/blogs.dir\/56\/files\/sites\/56\/2017\/12\/P1020406-min.jpg 2048w, https:\/\/sindicatos.cgtp.pt\/uniao-norte-alentejano\/wp-content\/blogs.dir\/56\/files\/sites\/56\/2017\/12\/P1020406-min-240x159.jpg 240w, https:\/\/sindicatos.cgtp.pt\/uniao-norte-alentejano\/wp-content\/blogs.dir\/56\/files\/sites\/56\/2017\/12\/P1020406-min-800x531.jpg 800w, https:\/\/sindicatos.cgtp.pt\/uniao-norte-alentejano\/wp-content\/blogs.dir\/56\/files\/sites\/56\/2017\/12\/P1020406-min-120x80.jpg 120w\" sizes=\"auto, (max-width: 159px) 100vw, 159px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Camaradas,<\/p>\n<p>S\u00e3o 163 os munic\u00edpios de baixa densidade em Portugal, mais de metade do Pa\u00eds.<\/p>\n<p>Os dados s\u00e3o apresentados desta forma \u2013 os munic\u00edpios de baixa densidade. N\u00e3o concelhos. E isto n\u00e3o \u00e9 por acaso. H\u00e1 uma tentativa de localizar o problema do despovoamento e envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o. Uma fuga deliberada \u00e0 an\u00e1lise do problema ao n\u00edvel nacional, \u00e0 sua liga\u00e7\u00e3o a politicas nacionais concretas. Querem municipalizar o despovoamento.<\/p>\n<p>Em 2008 foi criado o galard\u00e3o \u201cMunic\u00edpios familiarmente respons\u00e1veis\u201d, premiando medidas como tarifas sociais da \u00e1gua, bolsas de estudo, pr\u00e9mios de natalidade.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o \u00e9 que medidas como estas n\u00e3o fixam, n\u00e3o fixaram, jovens e fam\u00edlias, n\u00e3o t\u00eam travado o despovoamento nem incentivado a natalidade.<\/p>\n<p>Um jovem s\u00f3 sair\u00e1 de casa dos pais se tiver um emprego que lhe permita pagar a casa e as despesas b\u00e1sicas, no entanto, 10,8% das pessoas que vivem do seu sal\u00e1rio est\u00e1 em situa\u00e7\u00e3o de pobreza.<\/p>\n<p>Um jovem n\u00e3o vai escolher para criar fam\u00edlia um conselho onde este risco de pobreza aumenta dramaticamente, um local onde, por receber um sal\u00e1rio 18% inferior \u00e0 m\u00e9dia nacional tem 3 vezes menos poder de compra que um trabalhador em Lisboa. N\u00e3o vai fazer esta escolha s\u00f3 porque ter\u00e1 vacinas n\u00e3o inclu\u00eddas no Plano Nacional de Vacina\u00e7\u00e3o gr\u00e1tis ou receber\u00e1 um cabaz de algumas dezenas de euros se tiver um filho. E como sustentar\u00e1 essa fam\u00edlia sem emprego ou com um vinculo e trabalho prec\u00e1rio? Onde levar\u00e1 o seu b\u00e9b\u00e9 durante a noite caso adoe\u00e7a? Vai sujeitar o seu filho a passar 12 horas fora de casa s\u00f3 para completar o ensino obrigat\u00f3rio?<\/p>\n<p>O distrito de Portalegre perdeu em 11 anos, entre 2000 e 2011, 5700 postos de trabalho na ind\u00fastria e 1400 no sector agr\u00edcola. Enquadrando esta perda num distrito que tinha em 2011 cerca de 118 mil habitantes, percebemos o seu impacto.<\/p>\n<p>Mas esta destrui\u00e7\u00e3o de postos de trabalho foi nacional e resultou de uma pol\u00edtica de ataque \u00e0 capacidade produtiva nacional, transformada em actividades ligadas aos servi\u00e7os, que constituem j\u00e1 65% do emprego no Alto Alentejo.<\/p>\n<p>Sendo nacional, aqui no distrito esta transforma\u00e7\u00e3o assume, pela falta de alternativas, um car\u00e1cter de \u201cbeco sem sa\u00edda\u201d. Os mais qualificados emigram conduzindo a uma falta generalizada de pessoal qualificado em hospitais e outros servi\u00e7os especializados.<\/p>\n<p>Entre 2011 e 2013 foram destru\u00eddos 23% dos postos de trabalho e o distrito perdeu cerca de 2 mil habitantes. Apenas cerca de 15% da popula\u00e7\u00e3o tem, actualmente, menos de 18 anos. Prev\u00ea-se que em 2021 cheguemos aos 109 mil habitantes.<\/p>\n<p>\u00c0 semelhan\u00e7a da realidade nacional, a maioria dos empregos criados no distrito de Portalegre t\u00eam vinculo prec\u00e1rio, na ind\u00fastria, nos servi\u00e7os, na agricultura. A Hutchinson, um grande empregador do distrito com 2 f\u00e1bricas, em Portalegre e Campo Maior, tem metade dos trabalhadores com vinculo prec\u00e1rio atrav\u00e9s de empresas de trabalho tempor\u00e1rio. Na unidade de Portalegre, dos 400 trabalhadores 200 t\u00eam vinculo atrav\u00e9s de empresas como a Adeco e a Multitempo. No Intermarch\u00e9 de Portalegre todos os caixas s\u00e3o trabalhadores com contrato a prazo e a part-time. Na agricultura o emprego \u00e9 al\u00e9m disso sazonal, na corti\u00e7a, nos olivais, na vinha.<\/p>\n<p>Para os 7\u00a0701 inscritos no Centro de Emprego havia, em Maio deste ano, 371 ofertas de emprego. Muitas ficam ainda assim por preencher por dificuldades concretas como a falta de mobilidade, de um servi\u00e7o de transporte p\u00fablico que permita aos trabalhadores se deslocarem at\u00e9 aos seus locais de trabalho. O transporte ferrovi\u00e1rio de passageiros foi reposto este ano com 2 hor\u00e1rios, incompat\u00edveis com hor\u00e1rios de trabalho cada vez mais desregulados nos sectores cujo emprego mais cresce, como \u00e9 exemplo o sector social, com\u00e9rcio e hotelaria.<\/p>\n<p>Estas dificuldades, sentidas pelos trabalhadores do Alto Alentejo e de todo o interior do pa\u00eds, s\u00e3o determinantes para o despovoamento. N\u00e3o podemos falar de despovoamento sem culpar em 1\u00ba lugar os baixos sal\u00e1rios, a precariedade, o desemprego. De seguida vem todo o ataque aos servi\u00e7os p\u00fablicos.<\/p>\n<p>Atribui-se o decr\u00e9scimo da popula\u00e7\u00e3o no interior \u00e0 falta de emprego e acesso a servi\u00e7os p\u00fablicos de qualidade mas como h\u00e1 menos pessoas procuram justificar a extin\u00e7\u00e3o de mais servi\u00e7os p\u00fablicos e postos de trabalho. A falta de popula\u00e7\u00e3o e o seu envelhecimento n\u00e3o s\u00e3o a raz\u00e3o, s\u00e3o a consequ\u00eancia. Consequ\u00eancia de pol\u00edticas contr\u00e1rias aos interesses do pa\u00eds e das regi\u00f5es. S\u00e3o a desculpa para fechar mais e investir menos come\u00e7ando por desenvolver esta estrat\u00e9gia nas regi\u00f5es onde menos pessoas a possa contestar.<\/p>\n<p>No distrito de Portalegre entre 2001 e 2013 extinguiram 23 freguesias e encerraram 63 escolas, 10 extens\u00f5es de centros de sa\u00fade e v\u00e1rias esta\u00e7\u00f5es dos CTT. N\u00e3o existe urg\u00eancia pedi\u00e1trica no Hospital de Portalegre \u00e0 noite. Fecharam a maternidade em Elvas. Correram com 20% dos trabalhadores da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica entre os quais 300 professores. As popula\u00e7\u00f5es ficaram isoladas: sem junta de freguesia, sem escola, sem centro de sa\u00fade, sem posto dos CTT.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil estudar em Portalegre. Um estudante do distrito tem muitas vezes de estudar fora, em \u00c9vora, Castelo Branco, Lisboa. Para o Instituto Polit\u00e9cnico de Portalegre n\u00e3o h\u00e1 transportes e os estudantes t\u00eam de se mudar para a cidade de Portalegre. Como a situa\u00e7\u00e3o laboral e perspetivas aqui na regi\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o animadoras, um estudante de Portalegre estudar\u00e1 noutro distrito.<\/p>\n<p>O despovoamento \u00e9 um problema complexo, grave e nacional. O povo e os trabalhadores t\u00eam de ser colocados no centro da politica de desenvolvimento do pa\u00eds, um desenvolvimento equilibrado e planeado. O povo e os trabalhadores t\u00eam de ser reconhecidos como uma riqueza do pa\u00eds, um investimento com retorno.<\/p>\n<p>Pelo direito a viver e a trabalhar no Norte Alentejano, todos os trabalhadores do distrito t\u00eam de lutar com todos os trabalhadores portugueses por uma politica de justa reparti\u00e7\u00e3o da riqueza, coordenada com uma estrat\u00e9gia social, educativa e cultural nacional, e n\u00e3o municipal ou regional, que vise o desenvolvimento humano integrado de sectores e regi\u00f5es, pela valoriza\u00e7\u00e3o do trabalho e dos trabalhadores.<\/p>\n<p>Viva a CGTP-IN!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Camaradas, S\u00e3o 163 os munic\u00edpios de baixa densidade em Portugal, mais de metade do Pa\u00eds. Os dados s\u00e3o apresentados desta forma \u2013 os munic\u00edpios de baixa densidade. N\u00e3o concelhos. E isto n\u00e3o \u00e9 por acaso. 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