Há vitórias que pertencem a quem as assina. E há vitórias que pertencem a quem as constrói. Esta vitória é vossa.
É de cada Trabalhador que participou num plenário. De cada empresa onde se discutiu o ataque aos direitos laborais. De cada conversa à entrada e à saída dos turnos. De cada panfleto distribuído. De cada reunião, grande ou pequena, discreta ou pública. De cada camarada que levou a discussão para casa, para a família, para os amigos e para os colegas, transformando a indignação em consciência e a consciência em ação organizada.

Foi assim, empresa a empresa, setor a setor, que centenas de plenários mobilizaram os trabalhadores da agricultura, da alimentação, das bebidas, da pecuária, da silvicultura, do abate de aves, da produção de carne, dos hortofrutícolas, dos tabacos e de tantos outros locais de trabalho.
Foi assim que se construiu uma força que nem o Governo nem o grande patronato conseguiram derrotar.
As Greves Gerais de 11 de dezembro e de 3 de junho ficarão como marcos desta luta. Ficará na memória a força das empresas onde a adesão foi total. Mas ficará igualmente o enorme significado das empresas onde, pela primeira vez, houve trabalhadores a fazer greve. Porque cada homem e cada mulher que, enfrentando pressões, ameaças ou receios, levantou a cabeça e assumiu a sua condição de classe, ajudou a escrever esta vitória coletiva.
Na luta dos trabalhadores não há gestos pequenos. Cada participação contou. Cada palavra contou. Cada greve contou.
Esta batalha confirma uma verdade que a história do movimento operário nunca deixou de demonstrar: é a luta organizada que faz recuar quem pretende enriquecer à custa da exploração, da precariedade e do empobrecimento dos trabalhadores.
Quanto mais determinada, mais unida e mais contundente é a ação coletiva, maiores são as conquistas alcançadas.
Hoje temos o direito de sentir orgulho. Temos o direito de celebrar.
Mas sabemos também que a luta de classes não termina com uma vitória. Enquanto houver exploração, haverá resistência. Enquanto houver quem ataque direitos, haverá trabalhadores organizados para os defender e conquistar novos avanços.
É por isso que desta vitória nascem responsabilidades: A de reforçar a organização nos locais de trabalho; A de acelerar a sindicalização; A de fazer crescer o SINTAB e o movimento sindical unitário.
Se és sindicalizado, fala com o teu companheiro de trabalho que ainda não deu esse passo. Partilha a experiência desta luta. Mostra-lhe que nenhum direito caiu do céu e que nenhuma conquista se mantém sem organização.
Porque quando os trabalhadores se unem, organizam e lutam, tornam-se uma força capaz de mudar a realidade.
Esta vitória prova-o.
Parabéns a todos os Trabalhadores.
A vitória é vossa.
E o futuro continuará a ser construído pelas mãos daqueles que produzem toda a riqueza da sociedade.
Unidos. Organizados. Sindicalizados. Em luta. Sempre.