



O SINTAB reafirma a sua profunda preocupação pela decisão judicial que declara a insolvência da Sicasal, colocando centenas de postos de trabalho em risco e lançando uma enorme incerteza sobre o futuro dos trabalhadores, das suas famílias e de toda uma região que, há muito, se vê confrontada com a escassez de emprego qualificado e estável.

Este é um duro golpe social e económico, cujas consequências ultrapassam largamente os muros da empresa, agravando a fragilidade de um território já marcado pela dificuldade em reter emprego industrial e em garantir perspetivas de vida dignas para os que ali trabalham e residem.
O SINTAB condena ainda, de forma inequívoca, a evidência de este desfecho resultar, em larga medida, de opções estratégicas erradas e de falhas graves de gestão, que conduziram ao progressivo definhar de uma empresa com uma marca historicamente bem implantada no mercado nacional e com reconhecida relevância no setor agroalimentar. Não é aceitável que décadas de trabalho e dedicação dos trabalhadores sejam colocadas em causa por decisões que não tiveram em conta a sustentabilidade económica e social da empresa.
Importa igualmente sublinhar a responsabilidade do poder político, tanto a nível local como nacional, na defesa da viabilização dos postos de trabalho. Essa responsabilidade passa não só pela intervenção ativa na procura de soluções que salvaguardem o emprego, mas também por um escrutínio rigoroso da utilização de apoios públicos, incentivos financeiros e facilidades concedidas ao abrigo da regulamentação autárquica, garantindo que esses instrumentos servem efetivamente a criação e manutenção de emprego digno e não a gestão ruinosa ou irresponsável.
É urgente que, acima de tudo, todos os esforços convirjam no sentido de viabilizar a continuidade de laboração, com todos os atuais postos de trabalho, bem como a sua modernização, quer industrial, quer na gestão, nem que, para isso, os órgãos de governação tenham de atuar mais ativamente em defesa da produção nacional.
Por fim, o SINTAB não pode deixar de recordar o histórico esforço das sucessivas administrações da Sicasal em combater a sindicalização e a organização coletiva dos trabalhadores. A realidade demonstra, mais uma vez, que quando os trabalhadores não estão organizados, informados e unidos, são frequentemente apanhados de surpresa por decisões que afetam profundamente as suas vidas. A organização coletiva é uma ferramenta essencial de defesa, antecipação e intervenção, e a sua fragilização apenas beneficia quem toma decisões à margem do interesso comum, maioritariamente dos trabalhadores.
O SINTAB reafirma o seu compromisso com a defesa intransigente dos trabalhadores da Sicasal e continuará a exigir responsabilidades, transparência e soluções concretas que coloquem o emprego, a dignidade laboral e o desenvolvimento regional no centro das decisões.



Piquete de greve constituído pelos trabalhadores da empresa MECÂNICA PIEDENSE (sector das madeiras), na Cova da Piedade – Almada (Setúbal).

Piquete de greve na CT COBERT TELHAS – São Francisco (Torres Vedras), empresa de cerâmica, no dia da Greve Geral.

Piquete de greve na AMORIM FLORESTAL (Cortiça), em Ponte de Sor (Portalegre).

Portões fechados na CIARGA (Grupo Cimpor), em Alhandra e na Maia
Adesão a 100%.
