Arquivos de Cerâmica

TRABALHADORES DA CERÂMICA NÃO VÃO PAGAR A FACTURA!

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Vivemos um tempo em que o custo de vida aumenta de forma galopante e os salários perdem cada vez mais poder de compra. A inflação não pára de aumentar e já atingiu os 4,2% em Fevereiro.

Uma situação que tenderá a agravar-se com a brutal subida dos preços dos combustíveis, do gás e da electricidade e o anúncio de novos aumentos de bens essenciais, como o pão, a carne, o peixe, a fruta e os legumes.

No sector da Cerâmica, a Associação Patronal (APICER) promoveu a caducidade do Contrato Colectivo de Trabalho há 15 anos atrás e desde então, escudada nas regras da legislação do trabalho, tem bloqueado a actualização e valorização salarial no sector.

São milhares as mulheres e homens trabalhadores com baixos salários – muitos recebem apenas o salário mínimo nacional – e que viveram situações recentes de lay-off com perda de rendimentos.

Vem agora a APICER pedir ao Governo medidas de apoio, designadamente a possibilidade de as empresas aderirem ao lay-off simplificado, mas também a redução dos impostos e das taxas de acesso às redes de gás natural, a exemplo do que foi feito na electricidade.

É curioso que os que antes defendiam menos Estado para os trabalhadores e os serviços públicos, são os que agora reclamam mais financiamento e apoios públicos para as suas empresas.

Os trabalhadores não podem continuar a perder o emprego ou a ver reduzidos os seus salários e a Segurança Social a ficar exaurida financeiramente com os processos de lay-off.

 Os trabalhadores da indústria da Cerâmica já pagaram um preço elevado com o bloqueio patronal dos salários ao longo de uma década e meia, enquanto as mais-valias ficavam nos bolsos dos administradores e accionistas. Não estão dispostos a ser mais sacrificados!

 Este é o momento de clarificar posições e definir caminhos.

Agora, no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e, em breve, com o Orçamento de Estado, a situação económica difícil que se avizinha não pode servir de pretexto para que tudo fique na mesma. Nem de desculpa para não alterar a legislação do trabalho e expurgar as grilhetas que acorrentam os direitos individuais e colectivos dos trabalhadores e das jovens gerações.

A recuperação da economia implica mais investimento público e privado, pôr o país a produzir para exportar mais e importar menos. Mas não dispensa, antes exige, um forte incentivo ao aumento dos salários para dinamizar a procura interna, a actividade empresarial, a manutenção e criação de emprego com direitos.

16 de Março de 2022

A Direcção Nacional da FEVICCOM

Fátima Messias

 

Trabalhadores da Construção e Vidro Exigem Aumentos Salariais

Trab. Const. e Vidro exigem aumento salariais

11/03/22 POR LUSA

 Os trabalhadores dos setores da construção, cimento e vidro exigiram hoje aumentos salariais para fazer face à subida do custo de vida, numa altura em que ainda não foi conseguido qualquer acordo com as empresas.

“Estamos já em março e ainda não houve um único acordo este ano, porque não tem havido disponibilidade das empresas para negociar, mas os trabalhadores não abdicam de ter aumentos salariais dignos, que podem ser de 90, 80 ou 70 euros conforme a situação de cada setor ou empresa”, disse à agência Lusa a coordenadora da Federação Portuguesa dos Sindicatos, da Construção, Cerâmica e Vidro (Feviccom), Fátima Messias.

Segundo a sindicalista, nalguns setores, a contratação coletiva está parada e noutros, embora vão sendo realizadas reuniões negociais, não há evolução.

“Por isso, ao contrário de outros anos, ainda não há nenhum acordo e os trabalhadores continuam sem aumentos salariais para fazer face ao enorme aumento do custo de vida com que estamos a ser confrontados”, disse.

Fátima Messias lembrou ainda que os salários da construção e das minas são muito baixos e os do vidro e do cimento, embora um pouco mais altos, também não chegam para enfrentar a subida dos preços.

“Os trabalhadores destes setores precisam e merecem aumentos salariais e vão travar uma batalha intensa nos próximos tempos, para os conseguir”, disse a coordenadora da federação sindical, filiada na CGTP.

A Feviccom emitiu hoje um comunicado a dizer que, “depois das desculpas da crise e da pandemia, as empresas já não podem fugir a responder às reivindicações para a melhoria das condições de vida e de trabalho”.

“Se antes já tinham o dever de melhorar os salários, agora, por mais que inventem, não podem deixar de os aumentar significativamente”, diz o texto, considerando que esta é uma “reivindicação não só justa, como necessária e urgente, face ao aumento galopante da inflação”.

O comunicado sindical salienta a “subida dos preços dos combustíveis e da energia, da água e do gás, do peixe e da carne; dos legumes e da fruta; do pão e dos cereais e a previsível elevação dos juros, com impactos, nomeadamente na habitação”.